Razöes do Näo

No próximo referendo sobre o aborto votaremos Näo. Aqui se tenta explicar porquê.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Votar não

Votar não não significa que se tenha de manter a lei como está. Significa que se rejeita a mudança que o PS propõe. Há que saber interpretar o que é rejeitado ao votar não. O realismo que o PS advoga ao pedir votos para o sim passa a um literalismo idiota no caso de vencer o não*?

Cito
o CA: "O não no dia 11 é um não à pergunta feita, nas circunstâncias que é feita. Não perceber isso e pensar que a despenalização só pode ser feita da maneira que o PS quer ou então o PS deixa tudo na mesma é uma birra infantil do PS e não uma posição política responsável de quem está empenhado em que nenhuma mulher possa ser presa. "

Era de pensar que o PS já soubesse isso. Ou quando foram derrotados no referendo sobre a regionalização puseram de parte a ideia da descentralização?

Liberalização vs descriminalização e regionalização vs descentralização: jogos de palavras?


* No fundo, estão apenas a defender os interesses do Partido. Admitindo a possibilidade de acabar com as penas de prisão (medida com que uma esmagadora maioria da população concorda e para a qual não é preciso referendo nenhum), perdiam-se votantes no sim. Então faz-se dessa medida refém de uma vitória do sim, defendendo que não deve ser concretizada em caso de derrota. Numa palavra: terrorismo.

5 Comments:

Blogger KA said...

Bom dia!

Ainda este fim-de-semana ouvi o 1º Ministro dizer que se o Não ganhasse a lei ficaria como está.
Posso ter 2 interpretações ás declarações de José Sócrates, e nenhuma delas é positiva, senão vejamos:

- se o que queria dizer era que o governo não mudará a lei(soou-me a chantagem.. não sei porquê...), opondo-se á verdadeira despenalização, apenas lhe respondo que nem isso pode garantir pois a assembleia da República não lhe pertence e, acredito que muita gente que votou sim, quer efectivamente que a penalização acabe. Será portanto possível mudar a lei.

- Se estava apenas a dizer que a lei não muda. TEm toda a razão. Não muda no dia 11 mas podeá mudar nos dias seguintes, bastando para isso a vontade política para que possamos despenalizar.

É pena ficar com a sensação de que vale tudo.. vale até dar a entender que Tem "a faca e o queijo na mão" e "ou é a nossa maneira~ou então não é"

1:05 da tarde  
Blogger /me said...

De acordo, Ka. É prepotência até mais não...

1:10 da tarde  
Blogger MC said...

Eu não ouvi as notícias que dão mote a este post. Mas faço antes uma pergunta? Porque é que o PSD e CDS coligados em maioria na Assembleia da República, não avançaram então com o que alguns políticos deste espectro político andam agora a oito dias do referendo a propor?

2:06 da tarde  
Blogger /me said...

MC, antes de mais, já houve quem tivesse proposto isto, muito antes. Mas tens razão, PSD e CDS podiam ter alterado a lei enquanto eram governo e não o fizeram. Porquê? Não sei responder. Mas deviam tê-lo feito, sem dúvida. Têm muitas culpas.

2:28 da tarde  
Blogger CA said...

MC

Se queres a minha opinião a culpa foi da Conferência Episcopal Portuguesa que respondeu à proposta de Freitas do Amaral na célebre Meditação sobre a vida
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=7226
escreveu:

"Parece-nos, no entanto, que o caminho não é "despenalizar", mas considerar, em sede de julgamento, eventuais circunstâncias atenuantes, até porque o grau de responsabilidade não é o mesmo, quer entre as mulheres que abortam, quer entre aqueles que as condicionam e contribuem para o aborto."
(destaque meu)

Claro que também é preciso recordar o que era o PSD naquela altura.

3:29 da tarde  

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